Arquivo | abril, 2010

Hello, it’s late

30 abr

Minhas ligações não foram retornadas. Minhas ligações só foram para a caixa postal. Minhas ligações cansam meus dedos de tanto repetir os números. Minhas ligações tem endereço certo. Minhas ligações liga qualquer coisa menos eu. Por onde passa sua mente no momento que o avião fura as nuvens? A turbulência é capaz de me distrair o suficiente pra imaginar, ah, estou a beira da imaginação, onde lá eu tudo posso, onde tudo eu posso lá.  Me conte o que você tanto procura.

Tem outro caminho sendo criado pelas pedras, tente a sorte, tente os dados, tente a probabilidade, só não deixe de tentar. Vai ou fica, decida logo, foi tanto tempo pra pensar. Você pensa  que conseguiu, mas tudo que fez foi criar, criar um outro lado pra me convencer que dois lados é insuficiente, mais que o imaginário, mais que o possível, é onde as almas se cortam, é onde não se pode mais ver. Pode ser um. Pode ser três. Agora, nenhum.

Sussurro em teu ouvido, avisando que já estou indo. Me entendio fácil demais nessas paredes tão brancas que tornam tudo duas mil vezes mais estático, nem lembro mais a última palavra que eu disse antes de dormir, na verdade, eu não lembro de mais nada, tomei a dose de qualquer coisa que estava em cima do meu piano. Não era um veneno. Eu não morri. Talvez você tenha me matado em você, não me importo, sou como a fênix, minhas cinzas são o suficiente para eu renascer, paradoxo de você, que se reduz a cinzas de cigarro que serão levadas pelo vento.

Ela quer alguém, você também, todo mundo precisa de alguém. Eu só queria você. Desliguei meu celular, liguei meu novo mundo.

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Take a picture

25 abr

Passaria horas revendo nossas fotos, com cada flash me remetendo uma memória tão simplória, não tinhamos ambição, era só questão de sentimento. Reveja os sentimentos, reveja os pensamentos, reveja tudo aquilo que não quis ver. Ignorar não nos leva a nada, o nada não nos leva a nada. Escolha outro número, escolha outra arma, escolha outro lugar. Nós precisamos mudar.

É a metamorfose, do tempo que corre, dos dias que passam, das brigas que nos consomem. Não importa a estação do ano que estamos, está calor, estou fria, flores nascem, olhos morrem. Eu quero esquecer a previsão do tempo só por uma vez, esqueci meu guarda-chuva em outra bolsa, em outro mundo, deixa eu deixar de fazer.  Deixa. Eu escrevi o meu destino, eu o planejei.  Deixa. Eu já sei que isso não é possível, apenas queria um rascunho para reler antes de dormir.

Mas pense em mim quando eu estiver lá fora, pense que minha estadia lá é tão eterna como nós fomos. Eu só te pedia para não fugir o olhar do meu. Era muito, era pouco, era nada. Só mais uma história mal contada, não foi nem escrita por medo de nunca ser lida. Escrevendo sozinha, escrevendo pra ninguém. Faça valer a tua despedida. Abra logo a champagne, bote a culpa na bebida.

“Um corpo escondido em tatuagens, vagas lembranças, maioria apagadas com suas passagens. Mais uma ida de nossas vidas. Mais um sim, mais um não. Contemplando a coleção. Completando a coleção.”

Última carta para você

23 abr

Me dê a terapia para tratar desses arrependimentos e feridas, me dê a cura para as angústias, me dê o soro anti-mentiras. Eu já sei que não podemos taxar mais de confusão, como considerar confuso se estamos certo do que está errado? Perdão, esqueço que nossas regras não são iguais. Esqueço que não tenho regras. Esqueço que (não) estou aqui para jogar.

Quando escrevemos que nos amaríamos até o fim de nossas vidas e dois dias depois isso muda, significa que nossas vidas acabaram? Como você me explica isso se estou viva, devo estar esperando minha nova reposição de oxigênio. A chuva é uma boa desculpa para se trancar em casa, a chuva é uma boa desculpa para sair com o pretexto de reviver aquela infãncia mal vivida. Esta noite eu quero ser a criança, brincar e fingir que não sei escrever só para parar de escrever mil últimas cartas para você.

Sabe, impor limites, tem suas consequências. Sabe, ignorá-los tem consequências maiores aindas. No meu estopim emocional um copo de café era o que eu precisava, só assim, para eu não entrar em sono profundo. Cafeína. Cafeína, me acorde, cafeína, não deixe meus olhos fechares, cafeína, não  me deixe deixar de vigiar este lugar. Chamaram meu nome, mas não consigo achar a direção do som, devo estar tão quebrada quanto antes, preciso me consertar, preciso me reerguer, preciso me convencer que.. Quero dizer, preciso mesmo me convencer? Cheguei no tal ponto de me auto-comprar? Espera aí, aonde entram as minhas palavras, na sua mente eu sei que não é.

Dizendo,mais uma vez, que são minhas últimas palavras direcionadas a você. Mentindo, mais uma vez, que não quero mais te ver. Não se importe com isso, cada um coleciona as mentiras que mais agradam. Está tão claro que o que eu mais quero é voltar. Melhor pra mim é partir, melhor pra ti é sumir, por que classificamos tudo e sempre nos dizemos indiferentes? Se fosse indiferente, desta vez não estaríamos escutando.

Eu vou. E volto pra saber se ainda está aqui.

Que horas são?

18 abr

Eu te vejo e esqueço tudo, esqueço de brigar, esqueço de falar, esqueço de explicar, esqueço de pedir explicações, esqueço de viver. Mas você não esqueceu de me esquecer.

Preciso relembrar aonde eu estava antes de tudo isso começar, aonde foi que enterrei aquilo que eu chamava de vida, só sei que onde estou, acabamos de matar outra vida, temos uma chance que se multiplicam por mil e mil vezes já sabemos que quando começa.. em qualquer instante calha a hora de terminar. Eu nunca falei, mas você também nunca me perguntou. Não adianta eu falar mais nada, você desistiu. E quem perdeu fui eu.

– Tchau

– Tchau

– Não era pra você falar tchau

– Querido, como sempre, só estou retribuindo

-Mas não é pra concordar, tente mudar

-Deixaria de ser eu

-E se valesse a pena?

-Não se contenta em já termos deixados de ser nós?

-Quem é nós?

-Esquece

-Você já esqueceu

-Ok

-Pare com as monossílabas

-Pare com as neuras

-Pare de discutir

-Mas você que começou!

-E daí? Eu tenho motivos

-Os mesmo motivos que achou para terminar?

Hoje está Sol, mas eu sinto frio, qualquer coisa me servirá de desculpa pela ausência de braços me envolvendo. Eu fui daquelas que não planejava, justamente para não culpar o futuro. Não se sabe como será amanhã, não se sabe nem se ele vai chegar. Quando você vai voltar para eu te avisar que quero reescrever tudo, e se for pra ser igual, não me importo, só tire essa ilusão de que pra sempre não existe? ”Que seja eterno enquanto dure”, ”que o tempo sare as feridas”, somos tão dependentes do tempo.

A diferença é que agora eu pisei em cima do relógio. Ele não existe mais. Não há nada aqui que me faça discordar dessa caricatura reinventada.

Leia fechando os olhos. Pode não ser impossível.

12 abr

Não faz sentido escrever para você, não faz sentido descobrir o que carrego, não faz sentido dizer que sim, não faz sentido optar por não. Não temos nenhum sentido. Apenas, sentimos.
E quem eu sou pra você? Nós achamos que estamos sempre no lugar errado, como isso? Nem sabemos o que é certo. De certo irei me contradizer, está tão certo que não sei o que dizer, por onde começar, o que retratar, o que vai te marcar? Citaria a primeira vez que te vi e pisei no seu pé? Contaria que me deram um cigarro teu pela fixação que encontraram nos meus olhos? Fixação, taí. Não sei se seria certo dizer isso, eu sinto algo sem saber o que é.
Mais irônico ainda é comprar brigas,já sabendo que não faz diferença nenhuma aos olhos teus.. E quem eu sou pra você? Mais uma… ou nenhuma? Sinceramente, pouco me importa, que me deixem falar com as paredes! Paredes não falam, mas elas podem ouvir, mas elas podem me ouvir, sem saber se estou a sorrir, porque elas não podem ver, elas não podem sentir, sem saber se estou a chorar, mas ninguém vai me acolher, paredes não sabem falar.
A minha distância não significa minha ausência, ela só declama a vontade da sua presença.. Quero tanto que busque a sua felicidade, sem se importar onde ela está, quero tanto que alcance o sucesso planejado, mesmo que seja inventado, mesmo que seja retratado apenas por uma visão tua. É essa tua exclusividade que fascina tantas almas perdidas que buscam razões, que buscam porquês e usam o teu nome pra justificar. Seja como mestre, seja como estagiário, seja como pseudo baixista, seja como qualquer coisa, só não deixe de ser você, não deixe o platonismo morrer, não me deixe escolhas pra quem dizer.
É hoje, denominado teu dia, onde tuas glórias se intensificam, é teu dia, teu dia, onde tudo está tudo bem, o que ficou mal, esconda debaixo do tapete, beba, grite, comemore, pire, sinta, imagine, é o ponto de mais um ano de vida, tem ideia disso? Noites não se repetem, se transformam, faça desta a sua melhor mutuação. Parabéns, Tavares!

Acenda um cigarro, olhe para o lado e me veja –

Era só uma porta. É a porta.

9 abr

A porta está aberta, pode sair.

Só não espere me encontrar logo atrás da sua sombra, já escolhi o meu lugar. Aqui. Aqui onde está tudo que construi, aqui onde nossos pergumes permanecem impregnados no ar, tenho certeza de que é aqui que eu quero ficar. Sentada na cama, escrevendo na parede sem deixar nenhum espaço em branco. Seja com números, músicas, desenhos, palavras aleatórias, mas farei de tudo para não deixar em branco. Quero deixar minha marca, quero deixar meu vestígio. Eu estive aqui. Eu estou aqui. O branco, suposta representação da paz, já nem sei mais o que é isso, o pouco que me restava, foi levada por ti. Não que isso me deixe triste, pelo contrário, fico feliz em saber que de alguma forma eu permaneço em você, por mais que seja só ao meu ver. Rimos, choramos, gritamos, brigamos, ferimos, culpamos, odiamos, confessamos, prometemos, dançamos. Amamos. Passado reinventado. Sem deixar de ser nós, sobre nós. Lembrar de se esquecer, pretexto comum para duas pessoas comuns. Fugir por querer, me soa estranho e é tão corriqueiro quando se tornam dois estranhos. Eu não era fã dos contos de fadas, mas acreditava num final feliz.

A porta está aberta, esperando você voltar.

Sem precisar pensar para falar

2 abr

Preciso ouvir aquelas frases decoradas, já estou tão pronta para falsas emoções. Os porta-retratos sem fotos, enfeitam minha cômoda, mas até que eles tem uma moldura bem bonita, se bem, que eu já sei que não é isso que me chama a atenção. Pois pense bem, porta-retratos nasceram incompletos, eles precisam de uma foto para que possamos observá-lo e lembrar do flash momentâneo e ameaçar rasgar a foto que até então, era o que satisfazia.

Eu sou uma foto. Eu fui uma foto, isso é fato. É tão irônico falar de mentiras num primeiro de abril, mas o que posso fazer? As mentiras não me movem, preciso arrumar um jeito de empurrá-las do meu caminho. Eu quero seguir. Pra que parar? Pra que dar um tempo? E que me leve o vento, que sabe o quanto tempo. Aceitamos sem nem sempre querer, negamos sempre querendo esconder. A verdade dita pela primeira vez.

É a nossa única saída, é a nossa última saída. Procurando palavras para escrever, procurando palavras para descrever. Não acredito em contos de fada, só me sufoco com essas coisas entaladas, esta noite já está tão passada. Escrevo tudo, não digo nada.