Arquivo | junho, 2011

Nem por um segundo

19 jun

Eu nego o que meus olhos confirmam – afirmei pra mim. E mesmo assim, insisto, persisto, omito, é só mais uma besteira entre uma risada e outra. Sendo assim, me sufoco. Encho-me das fantasias, das alegrias, das vontades, das loucas, de tudo o que não vivi. Mas sonho, sonho muito, sonho com todo meu amor.

Amor, meu doce amor, eu sinto o gosto sem nem ter provado. Que fostes tu passando pela minha janela, oh vista bela, oh bela vista, eu não te vejo mais. Eu não queria te ver. É ter e tender a enlouquecer… Suspiros e mais suspiros, eu já te disse o quanto te desejo aqui comigo? Não disse, nem vou dizer, eu sei mais do que deveria saber. Mas ainda não sei quem é você. E foi-se assim, adentrando minha sala, espalhando seu perfume. É minha e é seu. Sou sua e não és meu. Eu sou é do mundo e ele também é meu.

E escreveu-me o mais lindo poema e reescrevem tentando entender esse dilema. Ora essa, me beija. Me beija com calma, até que nosso ritmo se encontre. Me beija do nada, até se perder no de repente. De repente eu nego, de repente tu insistes, de repente ele chega, de repente ela estremece, de repente nós sentimos, de repente vós sabeis, de repente eles se entregam, de repente elas abominam, de repente amor.

Gostamos do impossível, vivemos de amores não correspondidos. Chega o outono, folhas e flores vão embora, chegou a hora, chegou a hora. Estou ciente que passa rápido, de que voa, de que não posso piscar, só não deixe de passar. Ir, vir. Voltar. Até que eu não tenha mais como me encher, estufe meu peito, prepare o tiroteio de palavras e fique sem dizer nada. Você me lê tão perfeitamente enquanto estou calada. E te dizer que eu não sinto me faz sentir ainda mais. E eu só.

E eu só não quero sair desse mundo.