Arquivo | julho, 2011

Me cuida tu

24 jul

Tá faltando tudo aqui. Tá faltando tu aqui. Você é como um anjo, mas eu, que agora vivo no inferno, não tenho como te falar e você tampouco pode me buscar. Moramos em mundos diferentes, os nossos mapas não sabem como se encaixar. Sendo assim, eu fico aqui, já nem sei pra onde fugir. Cada porta que se tranca, cada voz que me chama. Não quero ouvir. Não sei remar por oceanos desconhecidos e ficar no mesmo barco me cansou, mas se só vejo água ao meu redor, como vou saber o que restou? Ô, meu amor, ô meu amor.

Me lembro bem, você não via a hora de ir embora, reclamava que ia perder a hora, recusou o meu café. E eu dizia que ainda tinha tempo, e se bem me lembro, não comentei sobre o seu colarinho e o batom de outra mulher.  Talvez o meu erro da noite foi não ter admitido que eu sempre soube. É que eu sempre fui tão cega e por consequência gostava de me cegar. Não via nada que não me agradava. Longe de mim a imagem de Santa. Não sou, não fui. Talvez esse tenha sido o meu acerto, encontrei alguém tão ruim quanto eu. E hoje me dá um aperto de saber que perdi o melhor.

Eu procuro (em) outro alguém, tentando te reecontrar. Mas não são teus olhos, não tem teu cheiro, não tem tua voz, não tua risada, não tem nenhum de nós. Custa entender? Custa, claro que custa. Se fosse de graça, eu não estaria fazendo pirraça e esse tempo não passa ou parece que nunca vai passar. Passam pela minha frente, o mundo está correndo e eu navego, e eu navego. Deixo as ondas me levando, até que eu me convença a remar. Baby. Blame. Tal como essa música não sai da minha cabeça, eu decorei a letra, mas não é por isso que eu vou cantar. Eu lembro de esquecer e esqueço de não lembrar.

Nós sentimos muito. Eu, tu e eles. Eu quero anestesia total, eu quero não sentir mais nada. Eu quero tu, aqui, agora. Volta. Me tira desse mar, me tira desse inferno. Me afoga. Sendo a água fria e o fogo ardente. Eu sei que ainda sente. É a minha vez de ir embora. Por todas as vezes que me disse “se cuida”  e eu respondia “tu também”.

Morria de vontade de mandar tu me cuidar.

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Xícara vazia

17 jul

E eu nem sei por onde começar. A verdade é essa, não tenho ideia, ou é o contrário, eu tenho tantas ideias, só que não sei como organizar. Bem que podia ser um debate, apontariam-se prós e contras e criaria uma solução. Mas não. Fomos feito pro abate. Arrancam nossas peles e nos põe a venda. É muita dor e pouco tempo pra gritar.

Não sei me defender sem querer te atacar. Eu quero te matar. Eu quero muito te matar. Com minhas próprias mãos, eu te enforcaria e provaria que não sou o teu ar. Ou também, te convidaria para um último café, assistiria seu corpo queimar por dentro, mas que pena, eu mal teria tempo para tentar de salvar. Não mais. Antes que eu tentasse, você morreu. Você pra mim morreu. Eu quero teu corpo, mas dessa vez para caminhar em cima. Não é vingança,  nem manha de criança, eu só não quero entrar dança bem na hora em que a música está para acabar.

Mesmo que ainda seja cedo e pra mim tarde demais, mesmo que seja só mais um erro e eu não aguente mais. Preciso ficar parada do que ser movida por raiva. Logo, quero que você se vá. Mude-se para qualquer endereço e não pense em voltar. Porque eu não mereço essas idas e vindas, entrar em ruas sem saída. Eu reconheço os meus erros. E só reconheço porque são meus. Por isso eu te pergunto, quem é você que eu não conheço?

Há mais do que cigarros nesta noite, da minha janela em vejo tantos carros perdendo o controle. Se foi um conto de fadas, que acabe a magia. Se foi uma história, que acabe a trilogia. Daqui alguns anos, quem sabe, alguém conte isso antes de dormir. Eu não quero mais saber das canções sobre você. E, por favor, não me drogue enquanto não volto pra casa.

Quero tanto saber onde é nosso lugar.