Arquivo | setembro, 2011

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18 set

Me cansa te chamar de lembrança. Sim, tenho que começar assim, com um tiro certeiro, preciso te atingir e essa foi a forma que eu encontrei. Porque se ir com calma não nos leva a nada, te levo com raiva, te guardo com raiva, pedindo para que tudo se exploda. Ultrapassando os limites, nas mais perigosas curvas, e a velocidade só tende a aumentar. Numa dessas se perde o controle, numa dessas se perde. Tudo.

Existe algum caminho certo? Não estou aqui para andar em círculos. Tonta, me perco, tudo gira, tudo gira, eu só quero o meu velho lugar. Não é um retrato de rancor, mas também não é de amor. É a mistura destes e de outros. Houve mal algum? Querer ser eu, tu e mais nenhum? Enchem a sala de estranhos, é, não foi engano. Eles falam, eles opinam, eles dizem o que devemos fazer. Em que momento eu os convidei? Era pra ser eu e tu, era pra ser. Tinha que ser. Parte do peso, se foi, porém continuo aflita, só de pensar em que não há mais saída. Ficou por isso mesmo? O medo de ter medo? Estava aqui para enfrentar o que fosse.

Eu não vou te julgar. Sei que você não planejou, mas eu ainda preciso do teu caminho, eu lá me encontro. Quer tirar tudo de mim, tudo de mim, mas eu já te dei. Não há mais nada aqui. Não há mais nada a dizer. Só te peço, pegue a outra metade, ou devolva a metade que já tem. Ninguém é de ninguém. Mas só se cuida, quando tem. Fica nessas de vai, não vai, fala, não fala. Pode ficar nessas, venho a te dizer que vou partir. O vazio de antes me implora por um inteiro. Eu te falei desde o começo. não tem como explorar o mar sem mergulhar.  E se sim. E se não.

Ei, menino, por que está tão tímido? Eu odeio o fato de não poder te mostrar o quão legal é estar entre as nuvens. É, nunca fui lá, mas gostaria de te mostrar. Te levar pra qualquer lugar. Pode ser o portão da minha casa, pode ser só pra rir da minha cara, pode ser só pra me ver brava, pode ser só pra ficar sem palavras. Pode ser só. Mas era pra ser eu e tu.

Mas era pra ser eu e tu. Sem eles.

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Mapa

9 set

Assumo a culpa: Eu não impedi a sua partida. Acontece, que no meu mundo não se luta quando não há vestígio de mais de uma saída. E se havia apenas uma porta, por que eu iria suplicar? Digamos que eu estou em busca de uma boa desculpa, eu lamento todas as noites. Não é o suficiente e isso me atormenta. Se eu tivesse segurado o seu braço, interrompendo os seus passos. Se eu tivesse ignorado, suas besteiras, seus atrasos. Bem, eu sempre estive lá. Bem, eu fiquei aqui.

Teria mudado em alguma coisa algumas palavras a mais? É como se eu fumasse minha própria respiração e esse velho ar, ora, veja só, não agrada o meu pulmão. Não é o único órgão que anda se queixando. Numa frequência indeterminada, um tanto quanto descompassada, mas tudo bem, eu sigo essa caminhada. Tô sem rumo. Tô perdida. Tô f…erida. Embora eu saiba a cura, preciso aprender a me cuidar sem remédio. Me acostumar com o tédio, com o espaço vago, é um lugar o qual eu não pertenço. What I should do? Run away or just stay? E fico assim, hesitante, como se fosse a primeira vez. Que ironia, essa história eu já cansei de escrever. De viver. De ver. Mas eles não sabem mais dizer.

Chego a me sentir boba, não sei nem como esclarecer, essa reviravolta por ti causada, só me fez entender. Quero você. Quero você. Como hei de me conformar em só querer? Pensei em correr atrás, mas desaprendi os teus caminhos. Ressalta a falta que você me faz, saber que sou só eu comigo. Ao mesmo tempo quero negar, saber mentir que está tudo bem, oh, meu bem, o vento vai, a brisa vem. E a tua risa é o que me convém. Você não sabe de ninguém, por que saberia de mim? Se soubesse estaria aqui, nem que fosse pra dizer que tua ida é sem volta.

Ainda assim eu rabisco por linhas tortas. Não posso parar de escrever. É a maneira que encontrei de.

De nada.

Eu é que agradeço.

Por favor, volte sempre.

Mar particular

4 set

Começa com um suspiro, uma espécie de teste pra saber se ainda há alguém me ouvindo. Nenhuma resposta. O teu olhar me corta. Ainda assim, não pare de me olhar. E eu não paro de sonhar, ou de imaginar, ou de planejar. Ah, pudera eu te ouvir suspirar. Sussurrar o meu nome, mesmo que com um tom de raiva, mesmo dizendo pela trigésima vez ‘nunca mais olhe na minha cara’. Essa aí sou eu.

Ou era. Já era. Fiz dos nossos papéis combustível para essa fogueira. Arde a alma. Diria que é lindo ver o fogo consumindo, se não fosse um desastre. Não estou mais aqui. E tu não está nem aí (pra isso).  Espero que passe, todos dizem que vai passar. Espero que não me mate, eu tenho a arma e as balas, só me falta a coragem para atirar. Preciso fechar os olhos pra te matar. De repente, me escapa a saudade e tudo aquilo que um casal apaixonado sente. Queima roupa. Informem a polícia e o hospício, eu me libertei dessa camisa de força. Eu estou louca. Eu sou louca. Ainda tenho o gosto em minha boca. Boca essa que não para de falar.

Meu coração é como um oceano, tantos barcos a navegar e só você quis se afogar. Esquecendo que não vão te salvar. E ao redor só tem mais água, no máximo uma ilha perdida e no mínimo, nada. Você nada, nada, nada, em vão. O momento em que o estranho conhece a solidão. Não há como voltar, não há como te prender. Se eu soube me libertar, se eu mandei me esquecer. Assim, esqueci de mim. Toca, telefone, toca, por favor. Toca, campainha, me dê um sinal do teu amor.

Não me diz que também se afogou. Era o colete salva-vidas a confiança. Era a tua manha de criança. Eu não entro nessa dança, desde que a nossa música não tocou.

Deixa eu te falar, essa mistura de saudade + vontade ainda vai me matar. É uma ressaca a qual eu não estou pronta. É uma dor além da de cabeça. Não faça chover, isso só enfurece o nosso mar. Se tudo ainda fosse calmo, só precisaríamos remar. Só precisaríamos nos amar. Eu estaria do seu lado só pra te ver acordar. Esquece. Não é mais assim, nunca vai ser. Nem mesmo com o tempo. O grande fator é o vento: se está forte, nos enfraquece; se está fraco, nos envolve.

Enfrentaria os sete mares só pra te levar pro meu, particular.