Arquivo | dezembro, 2011

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29 dez

Por onde começar? Ora, de preferência pelo começo, mulher! Pois bem e quando tu para pra pensar e não consegue lembrar do começo? Não por ter sido ruim, mas por sua memória só te descrever que em meio momento, puft, já fazia parte da sua vida. E de um jeito tão natural, pude chamar de rotina. Acorda, reclama do frio, reclama do calor, e tem aquela ligação me chamando de “meu amor”. O começo some, o meio acontece, o fim fica.

Considero dezembro o mês mais forte do ano. Tirando as relações astrológias e datadas na minha certidão de nascimento, pense comigo. Dezembro chega, chega com tudo o que foi  carregado no decorrer do ano, mas você não pode desistir, é só mais um mês, o ciclo é esse. Dezembro se colhe com toda a falsidade comercial e festas com significados diferentes em cada casa, somos obrigados a mostrar felicidade, somos obrigados a quantificar os presentes, somos escravos da globalização. Dezembro é a desculpa pra desforra, e ao mesmo tempo é o mês em que a bondade resolve ser coletiva. Odiamos muito, mas amamos todo mundo. Nos despedimos de quem vai, acolhemos quem fica. O fim do ano, por um instante, parece o fim de tudo. As férias de Janeiro foram só alguns beijos, já Agosto, o mês que nunca termina, é o envolvimento, é a a porta pro semestre que te faz implorar pro ano acabar. E chega Dezembro. E ele se vai como qualquer um. O começo some, o meio permanece, o fim fica.

Sendo a melhor promessa, não prometer. Ano que vem vou estudar mais, trabalhar mais, ser mais responsável. O mais sempre presente na lista desejos e/ou metas. Cuidado, tudo o que é demais, sobra. Falta cautela e compromisso. Desde o detalhe do “amanhã eu te ligo” (e o telefone permanecer mudo) até o “votarei consciente” (e o número mais fácil de decorar te representa em Brasília). O politicamente correto saiu de moda faz tempo, legal mesmo é ter uma causa e mais legal ainda é se rebelar. Ah, mas eu te amei demais, e tudo o que é demais, sobra. Deixa eu ser o tango, sensual e dramático. Deixa eu ser o quase beijo, inesperado e surpreso. Deixa eu ser o tempo, deixa eu ser Dezembro.

E se nada é por acaso, se nada é em vão, por que desatam tantos laços? Por que são nós e não somos nós? Até porque se houvesse um aviso prévio sobre as últimas palavras muitas delas permanceriam na ponta da língua e se perderiam pelo ar. Os dias passam, as horas passam, os anos passam, eles passarão, num voo suave, numa fração de segundo não contada. Não sou eu quem vai (te) contar.

Tenha cuidado ao procurar o seu lugar, pode acabar perdendo o seu. Quem muito busca, muito acha, acha o que não quer. Te fez feliz, te fiz feliz. O bem que eu quis.  Ora só, muito drama pra pouco café.  E é o fim do ciclo antes mesmo que eu feche os olhos, é o tempo me alcançando (e não me refiro ao do relógio), todo fim é um começo. O fim fica porque o começo está aqui. Todo começo é um fim. Todo fim é um novo começo.

“Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

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