Arquivo | janeiro, 2012

A linha tênue – até onde a fragilidade pode nos atingir?

23 jan

A  linha tênue entre o te amo muito e o te odeio ainda mais. Linha esta, que por conta de sua fragilidade, acaba virando uma coisa só. E se perde no ar, em meio a tantas palavras que deixamos de falar. Em algum momento do dia eu sempre me encontro assim, sobrecarregada, tenho minha garganta como arma, mas o tiro falha, eu não digo nada, eu não ligo pra nada. Sorri. Só ri. Mesmo sem achar a mínima graça, mesmo tendo a noção plena do quanto o tempo passa, mas ele não passa no mesmo lugar.

Por todas as vezes que o eterno durou um segundo, por todas as tentativas de trocar de mundo, ora só, ainda estamos no mesmo lugar. Sem pressa vem a brisa que tanto brinca com os meus cabelos, só me resta o resto do teu perfume, não tenho mais o gosto do teu beijo. Era aquele quase, aquele aproxima-afasta-aproxima-afasta-aproxima-gruda. Gruda, cola, une, liga, pega, junta. Junte todas as fotos que eu nunca publiquei, por medo de não aprender a não lembrar, mas eu tinha todas as imagens, bem guardadas, arquivadas numa pasta mental. Se o único enfeite da minha parede é um relógio, não se admire se o tempo for a minha voz. Estávamos juntos, estávamos a sós. E eu gostava desse baque, um lance meio cão e gato, me embasbacando com o teu sotaque. Lamento por quem ainda não pôde provar da loucura, ter um veneno como a melhor cura.

E bem, esperança é de espera e não de crença; e é inacreditável o quanto esperei. Insira uma pausa aqui, aproveite e suspire o quanto for preciso, feche os olhos, se necessário, agora olhe para o nada. Pronto, estamos olhando no que tudo isso se resultou. Em nada. Se são as meias verdades que corroem as dores inteiras, se eu parei na metade enquanto ainda havia uma beira. Não pude ver se era a beira de uma piscina ou se era de um precipício, eu só vi que desde o início eu comecei antes de você. A falta de sincronia fez falta e toda a ausência me fez pensar. Pensar demais, chegando as conclusões, atestando a desistência. Atolando as mentes vazias, por medo das tentativas. Eu tentei, eu paguei pra ver, eu desliguei minha TV.

Nisso me contaram que a beira era simplesmente estar à beira da loucura, sem hesitar provei o veneno, como se estivesse ingerindo a cura. E houve um aviso prévio. Em se tratando de saudade, eu era a única com doutorado naquele ambiente. E mesmo assim foi uma sensação única. Eu nunca havia me perdido, mas só assim pra te encontrar. Eu nunca havia te pedido, vem, eu deixo tu ficar.