Arquivo | março, 2012

Partindo pt. 3

31 mar

Fato 1: A escolha sua, a consequência é um terremoto. Mas por que um terremoto? Porque abala e afeta todos que estão envolvidos. Tu causou um terremoto da vida de trocentas pessoas. Deve ser por isso que fiquei zonza.

Beiramos a diversas explosões. Algumas tão belas por serem fogos de artifícios, outras não tão singelas, eu tinha medo disso desde o início. O meu instinto me calou. E essa foi minha primeira reação, fiquei parada, calada, vazia. Me enchi de tudo, menos de coragem, era uma mistura de raiva com alegria. Ei, parabéns pra ti! Ei, meus pêsames.. pra mim. De fato soa um tanto quanto egoísta, mas quem nunca?

Parte da poeira se abaixou, mas ainda me sinto entalada. Eu quero perguntar tudo e ao mesmo tempo correr pelo mundo. Por que, cara, por quê? Eu acredito que a vida é uma estrada. E toda estrada tem suas bifurcações, por isso, às vezes é preciso cada um ir para um lado até que a estrada comprida seja cumprida. A queda de tão grande não permitiu que a ficha caísse e eu tô esperando esse momento, pra ver se tudo faz um pouco mais de sentido.

Meu coração apertou. Engoli o choro. Mas sozinha, ora, sozinha eu era uma criança abandonada. Deitada na cama em posição fetal, agarrando meu travesseiro, olhos cheios d’água, cheguei até a sentir teu cheiro. E essa fumaça ficou infestada no meu quarto, a minha sorte é que nunca tive medo de ter medo. Nasci pra não saber me despedir. Nasci pra não aprender a entender o ‘tchau’. Não leve a mal… Pausa.

“Eu não quero lembrar que chegamos ao nosso fim”.

Voltei. Tu continua prosseguindo. E a minha cabeça não esfria por nada. Já minhas mãos estão quase congeladas. Desde então o frio não era sobre a Avenida Paulista, alcancei tamanha altitude que não sei em que pico fui parar. Eu tô no alto, eu tô no alto – eu dizia como se fosse o que eu mais queria. Pude ver tudo; Todos pareciam formigas. Numa dessas enfrentei todas as turbulências, voei mais alto do que se podia imaginar. Era meu sonho, era o que eu mais queria, eu era apenas uma garotinha que queria saber como eram as coisas vistas de cima.

“Não ouse desistir de tudo o que você sonhou”. 

Eu não apareci ontem. Ficou um vácuo, uma ausência, um laço cortado. Deixou a essência. Construiu e deixou pra trás. Ora, que injusto eu falar assim. Construiu e seguiu em paz, tinha muito o que viver, me encanto tanto com teu jeito de homem por fora, por dentro um menino-rapaz. Você cativou até mesmo quem não queria. Por isso eu estava lá todos os dias. Porque se cada dia é uma luta, cada segundo um confronto, teria maior sentido pra viver do que se não por um sonho? 

Eu te entendo, ainda que por dentro eu queira te matar. E mais dentro ainda estou louca pra te ver voar. 

“Pra onde você for voar, eu vou na mesma direção”.

Parte de mim grita, parte de mim ‘ouve o que o silêncio diz’. Completa eu só quero te ver feliz. Afinal, os bons pássaros cantam em gaiolas, os melhores voam e cantam por aí. E logo lanço o fato 2: Não devemos temer mudanças, devemos temer que nunca mude. Que o laço nasceu para ser cortado, mas eu vou discordar. Espero que aprecie esse café-com-drama e que ele te mantenha acordado para esse recomeço.

“Mas se eu fosse você, daria uma chance pra tentar”. Rodr… amigo.