Arquivo | julho, 2012
Nota

Tatua, tão tua.

25 jul

Eu falo todas as línguas, menos a tua.

Eu sempre fui muito minha, nunca sua.

Eu bati de porta em porta, exceto na tua rua.

Eu detestava o Sol, preferia a Lua.

Eu escrevi mil cartas, tu não leu nenhuma.

Eu mentia da maneira mais nua e crua.

Eu tinha as verdades que não passavam de uma falcatrua.

Eu tenho problemas de respiração, você fuma,

Eu me irrito com meu mau humor, você se acostuma.

Eu te esqueci num canto qualquer, você me perturba.

Eu quero me desligar antes que isso me possua.

Eu preciso correr e a tua voz me segura.

Eu mereço descer mas você quer que eu suba.

Eu não te obedeço e só assim tu me procura.

Eu me defendo por me sentir insegura.

Eu distribuo promessas e tu me assegura.

Eu me odeio, você me muda.

Eu me amo, é culpa sua.

Eu respiro fundo, apresso o passo e me faço de surda.

Eu exploro enquanto não se situa.

Eu sou de tudo um pouco e isso te assusta.

Eu construo para que tu destrua.

Eu fico com os pedaços entre uma amargura.

Eu sou doce mas não açúcar.

Eu tenho a arma e tu é a luta.

Eu sei que a vida não é nada pura.

Eu te transformei em amor pra poder ser a minha cura.

Não confunda.

Sem GPS

6 jul

Eu tenho viajado muito. Faço as malas aos 45 do segundo tempo, coloco o que não deveria, mas antes sobrar do que faltar, né? Eu amo o frio mas não quero passar frio, a linha de raciocínio é essa. Tu gosta? Então protege. Se protege. Eu tenho me protegido do frio. Eu tenho viajado muito, mas tenho ficado no mesmo lugar.

O cenário muda, mas os atores não. O enredo muda, mas o atos não. Vivendo a mesma coisa há 4 anos e de maneira racional perdi tempo e dinheiro, e de maneira emocional perdi meu medo e pseudo sentimentos. Eu cresci muito, eu me imponho mais, se antes eu só escutava, agora eu posso falar. Capaz. Bom, talvez eu esteja errada. Acho que sou a racional mais emocional do mundo e vice-versa. Penso com o coração e ajo com o cérebro. É a minha defesa o meu melhor ataque.

– Você tem medo?

– Um pouco

Um ano depois.

– Você tem medo.

– E quem não tem?

Mais um ano.

– Você tá com medo?!

Dessa vez eu só ri. Rasga-se mais um calendário inteiro.

– Você tem medo. Você tem medo de mim.

 Não tenho medo. Eu tô com medo.

Tentei dizer isso, mas não lembro se foi o que saiu no dia. Agora entramos na fase do “vamos superar”. Porque não basta só esse faz e refaz as malas, tem toda a renovação do passaporte, tem a autorização pra entrar e pra sair. Só que nem toda viagem é assim. Se tudo acaba no aeroporto, entre os diversos embarques e desembarques. Se tudo  se perde por pouco, não nos preparamos para turbulências ou baques.

Se tudo isso foi  a mistura iludida de interpretações erradas. Erradas todas estavam ao acreditar. Acreditar que ninguém se cansava. Cansava falar sozinha. Sozinha de novo estava. Estava cansada pra caralho de ser protagonista de histórias de amor que não me pertecem. Pertecem as dívidas às dúvidas? Dúvidas sempre me perseguiram. Perseguiram-me tanto que eu me encontrei calada. Calada mas com tanta coisa pra dizer. Dizer que estava arrependida do que não disse. Se.

Gomenasai.

Perdóname.

Sorry.