Arquivo | agosto, 2012

Não me acorde nesse acorde

25 ago

Vamos embora, meu bem, o show já acabou. Por que demoras, meu bem? Se já sabes quem eu sou. Eu sei teu nome, tu sabe o meu. Você me chama pra me dizer que esqueceu.

Esqueceu como se faz pra voar, esqueceu como se faz pra chegar, esqueceu de esquecer, de dizer que quer mais uns minutos do outro você. Você mudou, ele chegou, transformou tudo em um novo lugar. O nosso lar, nosso lugar, pode estar em qualquer canto agora. Temos que procurar antes que seja tarde demais, não há paz ou ideais que me convençam a desistir e fugir, fingir que dessa vez vai ser diferente.

Não vai. Não vai. Não vai mudar.

Eu já cantei, já escrevi, já desenhei, só falta partir. Tomei coragem com café. Sorriso de menina, olhar de mulher. Eu quem mudei, eu quem cheguei com motivos pra ficar. Rasguei todas as fotos da sua sala, rabisquei sua parede com minhas palavras, deixei o meu perfume ao subir as escadas, eu te encontrei e não vi mais nada.

Alguém me traz um pouco de sanidade? Por ser tão louca, eu falo a verdade. Quero mentir como você, quero mentir, quero você. E pensar que pensamos no depois, criamos um dia que nunca vai existir. Dos meus sonhos cuido eu. É forte, é rápido, é cansativo, é laço. É quente, não tente, não toque, não sente. Brinca de confundir minha mente.

Fechei a porta, mudei a chave, vamos ver quem chora, vamos ver quem parte.

Ao meio.

Com pé e cabeça, mas sem coração

23 ago

Acho que ninguém me entende. E quando digo ‘ninguém’, também tô nesse nicho. Porque o que eu digo não tem sentido, porque o que eu sinto passa despercebido.

Você passou. Ficou. 

Vai embora. Sem me levar. Eu quero ficar, gosto desse lugar. 

Não gosto de você, gosto de mim. Sou mais eu porque sou você. Deixa eu me achar, mesmo que seja preciso te perder. 

A – Oi.

B – Ei.

A – Qual a boa? Ou ruim, tanto faz.

B – O mesmo de sempre, nada muda, nunca muda.

A – Normal, por aqui o vento ainda sopra na mesma direção de antes, tudo igual.

B – Não quer que mude?

A – Só se for pra melhor, se for pra pior, chega no limite.

B – Como se tu soubesse o que é melhor pra ti.

A – Mas eu não sei, é só uma constatação.

B – E tu faz mais o que além disso?

A – Nada.. vou levando, caminhando, perambulando por aí, até encontrar o fim.

B – Eu já encontrei.

A – Qual é o fim? Existe? Pra mim, o fim, era a morte.

B – Eu quis te matar, mas isso não acabaria com nada. Seria só um corpo perdido.

A – Tá dizendo que a minha alma não vale nada?

B – Não disse nada, só constatei.

A – Tá, vou deixar pra lá, já que tu não me deixa entrar, lá.

B – Você jogou a chave fora.

A – Mas eu queria entrar no fim, não tenho a chave, to esperando a cópia pra entrar.

B – Tenta outra porta.

A – Não acho a outra porta, não tenho tempo pra outra hora.

B – Fica (…) Ou vai embora.

A – Não quero ficar, mas não vou embora do teu coração, contraditório, eu sei.

B- Se for pra ser pela metade, que não seja.

A – Ah, mas e quem disse que tem que ser por completo? Teu coração não quer que eu vá, eu sei.

B- Eu já escrevi essa história, não é mais um rascunho. Não tem essa de razão ou emoção. Na verdade, não temos mais nada.

A – Eu rasgo os teus rascunhos, já perdi a razão, não consigo controlar a emoção, na verdade.. tu engana a si mesma.

B – É que cansei de ser enganada por ti. Deixa que dos meus erros, eu me condeno.

A – Então acaba aqui, fui a última linha da tua folha. Adeus.

B – Eu tô pronta pra escrever outro livro. A gente se esbarra em outra estante. Se cuida.

Eu não me despedi. Você não percebeu. Não reescreva histórias. Sem essa de Julieta, não se faça de Romeu. Morrer de amor só serve pra ser lenda. Lendas só servem pra assustar.

Eu tô com medo, me protege? Você é meu medo. 

Mas que diabos está acontecendo? Sou um barco sem motor. Eu me afoguei num mar de amor.

Não me salvou.

Não me salvou.

Mas sei nadar.

A história sobre dois onde só um entende.

 

Maldito aleatório

21 ago

A casa era só minha de tão vazia, eu precisava de uma preparação. Um, dois, três copos. Satisfeita. Fuça a geladeira, abre a gaveta, toma um banho, arruma a cama. Eu não nasci pra esperar. Nunca estamos pronto pra lembrar, nunca estamos prontos pra esquecer. Vivemos esquecendo de esquecer, vivemos de lembranças pelo ar.

Existe algo antes do começo? Ou o início é a base? Eu acredito nas preliminares, eu vivo vivendo os quases.  E eu estava ali desde antes do começo, eu estava ali (tu estava lá). Maior brecha. Mas eu gosto disso, eu gosto de atiçar, eu gosto da maldade. O mundo é cruel por nos prender em liberdade. 

Começou. Já fora de ordem, mas isso não é um pingo pro tamanho do caos. Eu queria gritar só que não queria acabar com o encanto do silêncio. Gritei por dentro e era saudade. Chorei por dentro de felicidade. Sendo o detalhe o maior charme. Cansada de algumas, confesso. Histórias repetidas não fazem parte do meu livro, nessas horas eu tenho vontade de me dar um tiro. Morrer, dizer adeus.

Eram 12 e não me refiro quanto ao canal. E quer dizer que Sophia não virou guria? Outra deixou tu entrar. E tu foi além das expectativas, e tu foi além do sofá. Eu te fiz uma visita, tu me deixou muda. Era segunda-feira, mas eu cheguei tarde, e no começo de uma terça-feira eu ouço sua canção. Ora, mas eu já conheço esse pianinho, ora mas eu deixo tudo pra você. Porque em mim ficou tudo aquilo que eu sei, você esqueceu. Mas eu vou te lembrar de dizer ¡Adiós, Sophia!, mas eu vou te lembrar do que você prometeu.

Te odeio por letras tão minhas. Te amo por me descrever. Te odeio pelo clima de derrota. Te amo por saber que é uma vitória. Te odeio por me fazer doer. Te amo por me fazer sentir. Te odeio por esse vazio. Te amo pelos meus olhos cheios. De lágrimas. Te odeio por me confundir. Te amo, como todo o meu ódio.  Tá, tá, te… te… não sei. 

Só se sabe onde é o meio da história quando ela termina. Eu já tinha passado do meio, voltei. Não seria nós se não tivessem idas e vindas. Até então era um até logo, até mais, tchau. Dessa vez eu tô ouvindo adeus. Foi mais longe que o céu, foi mais forte que eu. Porque nenhum drama vive sem um bom clichê. Mudou mas ainda é a mesma coisa, mudou o tom, mudou a cor, mudou a página. Melhor, mudou o livro. 

São novos rabiscos, são novos delírios, Eu quero fazer parte de isso. Mas eu vou sair dali. A gente vive o novo, de novo. Mas só vive uma vez. A caixa de histórias tá cheia, cheia de espaço. Esse foi só mais um laço. Me prendeu, mas já me soltei. Me perdeu, mas eu já te achei.

Saem uns, entram outros. Os protagonistas ficam: eu e tu. 

Eu sei que dói se despedir de um lugar que doía ficar.

Tem que ser tu.