Arquivo | setembro, 2012

(Sus)piro

12 set

Que seja forte. Forte o suficiente para me desnortear. Esvazie meus pensamentos, me acalme, suplique minha atenção. Me faça rir de algo sem graça, me deixe sem palavras, segure a minha mão.

Me mostre como se dança a sua dança, quero saber teu ritmo, quero saber se eu consigo, quero sair da vontade, quero dançar. Quero dançar com você, eu vou dançar com você. Sem letra, só melodia. Assistir a troca da noite pelo dia. Escrever mil cartas, não entregar nenhuma. Telefonar mil vezes e ficar na linha muda. Tua voz sonolenta, eu te acordava enquanto eu dormia nesse sonho.

Era só silêncio e umas reticências que separavam nós dois. A paixão é o vão entre a plataforma e o trem: o trem se vai, a plataforma fica e temos que tomar cuidado pra não pisar no vão. Eu pisei e fiquei presa. E segurar meus pés me impedia de voar. Perdi o sentido e a direção. Segui em frente, você também. Frente a frente e não havia mais ninguém. Você me beijou. Eu te beijei. Eu te deixei. Você me deixou, me deixou feliz. Tinha tatuado um sorriso na minha cara e isso doeu. Não saía mais, era só você aparecer pra acontecer tudo de novo.

Você me beijou. Eu te beijei. Eu te deixei. Você me deixou, me deixou de lado. Tá tudo errado. Caindo o ritmo do coração acelerado, mas o sorriso ficou. Era pra sempre. Suspirava. Estava cansada. Deitei. Também deixei. Percebi que não é bem assim, que não depende só de mim, nem só de você. Era pra ser forte, mas me fraquejou. Tu me ligou.

Minha voz era de sono e a tua  eu não reconhecia mais. Minha cama parecia feita de nuvem. Eu ainda dormia. Mas não sonhava. Eu vivia.

Vivia te vendo onde não queria, era tu nas paredes, nas estantes, nas saídas. Eu te vejo em todos os cantos, espera que é só até acabar o encanto.

Mas por enquanto não é tão forte. Eu chamaria de sorte se não fosse o fato de eu já saber jogar.

Eu nasci de um amor.

Eu morri de amor.

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