Arquivo | novembro, 2012

Cheia do vazio

27 nov

Eu desconheço o ritmo dessa viagem, mas mesmo assim entrei no barco. Que os mares sejam fortes, que o oceano te deixe calmo. Mas me leva, me leva no teu balanço, sente essa brisa contornando o teu rosto, sente meu dedo contornando teus lábios, sente meus olhos conversando com os teus, deixe por um segundo de ser ‘eu’.

Seja nós, nem que por um instante, seja a voz, que me acorda, Me cante e me encante, seja a melodia que falta pra minha letra. Me deixe sem graça, cobrindo minha cara. Me faça achar graça naquilo que ninguém acha. Seja perfeito com teus defeitos. Seja exatamente como você é.

Porque esse dia vai chegar e eu nem vou perceber, de tanto tempo que eu escrevo trocentas cartas pra você. A gaveta encheu e meu coração também. Saiu pela boca, palavras mudas. Eu só te olhava. Por tanto tempo te olhei em todas as ruas que nunca passei. Saí do chão, mas não cheguei ao céu. Por que razão eu entrei nesse carrossel?

E fica girando, friso mais um vez, eu gosto do teu balanço. Sobe e desce, levemente, leve e mente, lê e vê minha mente. Ainda precisa de um destinatário? Tá tatuado. Tu tem um coração, eu tenho um laço. Todas as noites eu me lembro de te esquecer, brincando com esse masoquismo de quero-mas-deixa-estar.

Me chama, me chama, me chama, me ama.

Me ama, me ama, me ama, me encanta.

Me encanta, me encanta, me encanta, me cega.

Me cega, me cega, me cega.

Seja a minha luz.

Quero caminhar sem me preocupar com o que passou, sem me importar o que que estar por vir, quero olhar por lado, quero você aqui. Meu bem, chega mais, só não chegue tarde demais. Eu gosto de você mas odeio esperar. Eu não costumo deixar bilhetes avisando se vou voltar.

Ora, não escrevi na geladeira, também não há nada em tua mesa.

Mas uma hora a noite chega e o meu perfume não estará mais lá.

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