Arquivo | março, 2013

Asa B

5 mar

Só sei que eu entrei nesse voo e não tenho ideia de onde eu vou chegar. Só sei que eu gosto dessas nuvens, só sei que eu confesso que me arrepio com essa turbulência, só sei que se algo der errado vamos direto para o mar.

Uma viagem sem roteiro não estava nos meus planos. Mal tive tempo de fazer as malas, você me segurou pelo braço e meio que sussurrou: é agora ou nunca. Ok, vamos nessa. Mas, por favor, sem pressa. Estamos aqui e é isso o que interessa.

Ainda me lembro do portão de embarque, eu não me despedi de ninguém. Mas deixei um alguém. E agora o que eu faço? Não tem como desistir dessa viagem no meio do caminho. E agora o que eu faço? Eu sei que a culpa é minha por ter te deixado sozinho. Lamento todos os dias por nenhum bilhete ou sinal de fumaça. Agora você vem e passa.

Passa perto o suficiente pra me lembrar, passa longe o suficiente pra eu não conseguir dizer: eu não quero lembrar do que eu fui pra você.

A turbulência aumenta, não é de bom grado. Tem outra pessoa do meu lado. Como eu te falo? Você ainda entende meus olhos ou tenho que deixar um recado? Quanto mais achei que tinha controle, mais perdida estava. Tu me achou. Me achou no meu momento de fraqueza e me levou.

Cá estou. Entrei na sua, sem sair de uma. Carrego a culpa, mas ela é tão minha quanto tua. Porque esse jogo não se joga sozinho. Porque esse jogo não se ganha sozinho. Mas sempre haverá um perdedor. É um jogo par.  É um jogo para delirar.

Quem não aguenta a loucura se assusta e desiste. Quem busca uma cura, descobre que ela não existe.

Só preciso de mais um tempo e estarei pronta o suficiente para conhecer esse novo aeroporto.

Última chamada, embarque encerrado.

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