Arquivo | abril, 2013

De você

26 abr

Ninguém entenderia. Até porque nem eu mesma entendo. Mas o teu silêncio me cativou.

E só de saber que pouco a pouco eu arranco mais palavras suas, me encanto mais. Ninguém entenderia. Até porque nem eu mesma entendo. Mas o que parecia impossível, me conquistou.

Se dependesse só de mim, o meu abraço seria a tua moradia. Quantas mil vezes eu não desejei cuidar de ti por dias e dias? Mas você não deve e eu não posso. Você não deve porque se importa com o próximo, eu não posso porque me importo com o alheio. Entramos em desespero, só somos nós mesmos entre quatro paredes. Vivemos com medo, ninguém pode saber o que a gente sente.

Ou será que o problema está com a gente? Será que temos medo de sentir? Ou melhor, será que temos medo de assumir o que sentimos? Tenho a terrível mania de achar que tudo o que você faz, é um sinal. Numa dessas eu sorri sem motivo. Em várias dessa eu me senti em perigo. E a maior ironia é que você era o único que podia me proteger.

O dono do meu medo é quem me dá segurança. É teu rosto de homem com sorriso de criança que me fez entrar dessa dança. Enquanto a vitrola toca tá tudo bem. Só não solta a minha mão de novo, só não me fale que isso é um jogo.

Eu cansei de jogar.

Elas dizem: “Eu nunca tinha te visto assim”. Eu respondo: “Queria que ele soubesse que eu estou assim”.

Enquanto isso, eu fico entre suspiros. Num mundo paralelo, dependeria só de mim.

Anúncios

Jardim

10 abr

Estive pensando na fragilidade da vida e no quanto nossa independência é relativa.

Por mais que você faça o seu máximo, por mais que você faça o que considera certo, não cabe a você o futuro. Você traça planos, você corre atrás, você pensa em desistir, você pensa em fugir.

O ser humano por ser um ser sociável cria vínculos sem prévia de duração. É por isso que algumas pessoas entram na nossa vida de uma maneira tão repentina e ao mesmo tempo tão íntima. E é por isso, também, que você simpatiza com alguém que conversou durante uma viagem de ônibus mesmo sabendo que corre o risco de nunca mais vê-la. Mesmo assim, encaramos a aposta.

E nesse entra-e-sai de pessoas, a porta nunca se fecha. 

Mas é claro que surge a maior ironia de todas. Da mesma maneira que a grama do vizinho é mais verde, as coisas só acontecem na casa do vizinho. E só quando a planta do vizinho murcha você tem a capacidade de pensar: PODERIA TER SIDO COMIGO.

Faço parte dos que colhem os frutos e as dores alheias. Faço parte dos que choravam e paravam, mas a situação tá crítica e hoje, paro e choro. Choro não só de tristeza, e sim por qualquer coisa que me desperte um sentimento.

Nossos atos singulares afetam em todo o coletivo. Minha escolha nunca vai refletir só em mim. Seria, então, o mundo um enorme espelho enquanto o Sol reveza sua rotatividade? 

Quando você menos imagina, a escuridão te suga. De tal maneira que, por mais inaceitável que pareça, para morrer basta estar vivo.

Nota

Muda

10 abr

Eu tinha um alvo e uma arma. Mas, como sempre, não tinha técnica alguma.

Ora, como se isso algum dia tivesse sido um problema pra mim. Pois bem, atirei. Feito. E fiquei sorrindo, achando que não existia uma alma que fosse mais feliz do que eu.

Eu até abandonei o meu plano de recomeçar o meu ‘querido diário’. Prometemos a eternidade. Prometemos ter força para superar qualquer coisa que atrapalhasse. Nossos dedos se entrelaçavam sutilmente e o sabor era doce, parecia açúcar.

O Sol adentrava o meu quarto todo dia, me arrancava da cama e me jogava para o mundo.  Da mesma maneira que você arrancava o meu sorriso e eu fazia questão de contar pra todo mundo. Até que um dia não precisei mais contar.

Mas meu silêncio ensurdecia o tiroteio. Chovia, chovia forte. Eu nunca tive um guarda-chuva. O que era de açúcar, se desmanchou. E pensar que segundos atrás eu tinha o gosto na ponta da minha língua e levemente entre meus lábios. E pensar que eu não precisava mais de despertador. E pensar que ter na mente não é o suficiente para o eternamente, de fato, acontecer. O eterno é terno, mas a gravata sufoca.

De repente era o depois. Tudo aquilo que eu não tinha escrito. Tudo aquilo que eu não estava pronta para escrever sozinha. O Sol foi embora, o frio chegou. Eu estremecia com o vento contornando minhas costas. Eu tremia com a ausência que invadia a minha porta.

Não tinha mais controle do meu próprio gatilho.

Era vontade de morrer para não ter que matar. Eu exagerei na quantidade diária de cafeína. Eu exagerei na quantidade de você na minha rotina. E o meu maior eu voltava à tona, descontrole integral.

Essa é a verdade. Eu sou descontrolada. Por ter consciência disso, não há quem possa me controlar. Da mesma maneira que sou louca e tenho pela ciência de que a minha insanidade incomoda. A verdade é que sou uma eterna apaixonada. E quem se apaixona desconhece as regras e faz suas próprias exceções.

Eu tinha um alvo. Eu tinha arma. Mas, como sempre, não tinha técnica alguma.

Você não sabe. E eu também não tenho muita certeza. Mas acho que você me acertou.

Nem todo alvo nossos olhos conseguem enxergar.