Arquivo | setembro, 2013

Moradia

26 set

Mas foi o gosto da cerveja e o cheiro do cigarro. Mas foi o dito pelo não dito, o beijo com amasso. Foi o meu olhar procurando o teu entre uma embriaguez corriqueira. O teu silêncio me agredindo, parecia que ia durar a noite inteira.

Não se cale, eu quero te ouvir. Eu quero ouvir os seus problemas, eu quero ouvir como foi o seu dia, eu quero ouvir  – enquanto deito no teu peito – a tua canção favorita.  Que o meu drama convide a tua solidão para dançar e que assim, meu bem, a gente tenha mais tempo para gastar.

E que no final do dia a nossa cabeça esteja cheia, que a insônia não seja mais um problema. Que teu travesseiro  fique com o meu perfume, que o meu corpo fique com a tua marca. Eu não quero escutar nada que não seja a tua respiração ofegante. Eu não quero me importar com nada que tinha sido combinado. Não quero uma rotina, não quero me cansar. E que no começo do dia, eu acorde vazia, mas cheia de vontade. 

Eu tô completa. Eu tô completamente perdida. Mas eu gostei. Dessa vez não quero mapas ou bússola, se for para eu perder, paciência. Já me acharam diversas vezes, mais uma não faria diferença. Me liga no meio da noite e eu não atendo. Te encontro ao meio dia e eu não te entendo. Detesto quando você esconde seu sorriso e desvia o olhar de mim.

Já sei que no momento em que nossos passos saírem do ritmo, vai acabar. Não vou atrás, tampouco você. Deixa estar, na cozinha, no quarto ou na sala de estar. E você sabe me dizer onde é o nosso lar? Eu quero chegar lá. Quem sabe, assim, a gente entenda que o mundo não se importa com os nossos problemas. Esquece tudo, eu te convido: vem ser feliz comigo. 

Me consumiu de tal forma que não me vejo sem.

Teus olhos, teu queixo, teu pescoço, teus pés.

Tua orelha, tuas mãos, tuas costas, tua boca.

Tua.

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Semana

5 set

Dia desses eu tive um pesadelo: eu não te tinha mais. Pra piorar, eu estava acordada. Muito acordada, por sinal.

Você que nunca soube como é a minha semana, vou te contar:

Segunda-feira é o dia da crise. É o dia da incerteza, que normalmente, vem com uma surpresa e é essa surpresa que define se vou dormir bem ou não. Pra depois ter que aguentar a terça-feira, que tem total relação com o dia anterior. Nas boas terças eu acordo e lavo o cabelo, por ter a necessidade de precisar de um momento meu. Nas terças ruins, eu me atraso propositalmente, eu não quero falar com ninguém. Eu vou brigar sem motivo, pra antes de dormir me sentir idiota.

Meio da semana, quarta-feira, aquele desejo de respira fundo que o final de semana tá chegando. Aquele medo de que o final de semana tá chegando. Quarta-feira eu estou sempre 80. Quero o máximo. O máximo de todo mundo. Esqueço a jaqueta se estiver frio, coloco o moletom se estiver calor. E se você resolve aparecer, eu me entrego. E se você some, eu quero mais que você se f.

Nas quintas, normalmente, tenho um dia bom. Relembramos a existência, bate aquela saudade, mas quanto mais próximo da noite, mais ela me espanca. É vontade, é desejo, é fraqueza. É querer ser adivinha por um dia. É ser boba, lembrar de como eu ria.

Acorda, menina, chegou sexta-feira. A carta branca para o porre. Sexta-feira me embala de tal maneira, eu vou aonde o dia deixar. Os planos nunca dão certo, prefiro nem combinar. Sexta-feira, meu amor, só depende de você. Sexta-feira, meu amor, eu desço a serra com a ideia de me perder.

Pra no Sábado, nem Deus saber. E no Domingo, nunca vou te ter.

Nunca tive. Ninguém é de ninguém.