Arquivo | abril, 2014

Crença

16 abr

Eu não consigo escrever no silêncio. Sinto que ele me intimida pelo simples fato de existir. Eu não ouso incomodar o silêncio. De certa forma, eu o admiro.

Sobre os diversos tipos de silêncio, o meu favorito é o da natureza, que é o quase silêncio, é o sussurro das árvores incentivadas pelo vento, do passarinho que passou por ali sem querer, das folhas secas no chão. Do teu silêncio, tenho medo. Decifro-te conforme as orientações que eu mesma criei. Você de algum modo tenta me dizer através do seu silêncio, pior escolha que poderia ter feito. Eu não acredito em nada que não seja palpável.

Quando eu decido ficar em silêncio, se preocupe. Quando eu decido ficar em silêncio te olhando, me ocupe. Como eu posso te dizer que esse vazio me afeta todos os dias de manhã? Eu acordo pensando quando eu estava coberta de amor. Não me preparei para essa temporada de frio, me abraço o mais forte possível em vão, eu tenho tido os piores pesadelos da minha vida.

Eu posso ver meu querido caminhar tranquilamente pela praia, ele não sabe de nada, ele não sabe mais nada de mim. Eu posso vê-lo de mãos dadas, me obedecendo quando eu disse “seja feliz, siga em frente”. Eu tenho receio de com o tanto que eu vejo, me cegar. É tão louco como as noites em claro daquele feriado. Embriagados e apaixonados. Depois brigaram e se separaram.

Você ainda tem interesse por notícias minhas? Você se lembra da minha cor favorita? Você tem alguma lembrança daquele dia? É realmente verdade que eu não estava nos seus planos e por isso você me descartou? E se por acaso a gente se reencontrar, você me abraçaria? Ou fingiria que não me viu? 

Acredito que um dia alguém te mostre que o amor, ainda que sem prazo de validade, vale a pena. E vale a pena, também, insistir num erro ou em outro. E que sim, a felicidade existe e está em coisas tão pequenas que por essas e outras não a enxergamos. Que o fato de o dia passar mais depressa não tem nenhuma relação com o relógio. Acredito que você vai mudar mesmo tendo a teoria de que ninguém muda. Só não acredito em você enquanto você não acreditar em si.

Talvez a gente tenha se esbarrado na hora errada e por isso não deu em nada. E mesmo que tenha sido isso, mesmo que tenha sido nada, eu realmente sinto, eu realmente sinto a sua falta.

Um beijo. Ou dois pra recordar.

Assinado, eu

1 abr

Acredito nas casualidades e nos tropeços que a gente dá. Nos livros que a gente derruba no meio do caminho, no jeito que a gente cruza o olhar. Acredito também naquele reencontro inesperado, aquela falta de saber o que falar.

Era sexta, não era 13, mas o azar não tem dia pra chegar. É claro que no dia que eu resolvi usar aquela sapatilha pela primeira vez, ia chover. E mais claro ainda, que não seriam alguns pingos. Obviamente esqueci o guarda-chuva. Achar que ficar debaixo da árvore resolve alguma coisa, beber uma cerveja sozinha pra usufruir do teto do bar ou quem tá na chuva é pra se molhar?

Quem me conhece, sabe que se eu pensei em A, faria B e só restou me fazer C. Quem me reconhece, sabe que se fiz C foi porque me faltou algo pra B e eu já sabia que A ia me derrotar. Alternativas de uma prova que não estudei e tampouco sabia que constava no calendário. Eu só queria férias. Eu só queria viajar e tirar fotos que não publico. Eu só queria conhecer pessoas novas e fingir que o contato se manteria.

Porque, meu bem, as coisas bem que são assim. Um monte de plano que deu errado e mil histórias pra contar. Deixando a modéstia de lado, para contar história, eu sou a melhor de todas. Deixe comigo o tanto de vírgula pra você ver se eu não consigo transformar em ponto final.

Ainda assim, continuo não acompanhando a previsão do tempo. Escolho a bolsa mais fácil e se tem casaco ou guarda-chuva, nem Deus sabe. Porque se for pra passar frio ou calor, se for pra chorar de rir ou sofrer de amor, se for pra escrever uma linha ou contar uma bíblia, se for pra daqui a pouco ou se foi pra ontem.

Se for pra ser, será.