Arquivo | agosto, 2014

Porque eu detesto despedidas

25 ago

Oi, oi! Quer dizer… tchau, né? Fiquei sabendo, por outras línguas, que você não volta mais. E, bem, ao mesmo tempo que eu detesto despedidas, estou odiando o fato de não me despedir de você. Porque você foi uma exceção desde o início. Mas, que seja, tarde demais, não é mesmo?

Talvez esse seja o texto mais ridículo da minha vida, mas você sabe o quanto isso me faz bem. Porque, cara, eu tô mal, eu tô muito mal. Você foi o pior. Mas o que importa, né? Você mesmo se nomeava assim, dizia que era o pior pra mim, que não queria me machucar, e depois fazia o que? Isso mesmo, me abraçava. Mas claro, antes reforçava, com letras garrafais, que detestava abraços. Creio que assim como tu, eu tenha sido a sua exceção. Seria desumilde demais afirmar isso?

Porque todo mundo se cansava da gente e nós não estávamos nem aí. Pelo contrário, nós estávamos bem longe. Num mundo que tinha prazo de validade e o prazo era curto. Visto que as horas normais eram dias pra gente. Deve ter sido isso que dava razão pras longas curtas noites. Ou curtas longas? Não sei. Só sei que guardo, por mais incrível que pareça, todas elas com um enorme carinho e saudosismo. Eu posso até esconder o choro, mas nunca o sorriso. Porque ele sempre acaba escapando entre um suspiro e outro.

Falando em sorriso… Bah! E o teu? Lindo, lindo, lindo. Não aquele que você registra em – poucas e raras – fotos. Mas aquele que você estampava quando a gente se encontrava. Lembra? Eu sempre me aproximava bem devagar, como quem quisesse fugir do encontro e você fazia aquela cara de bobo como se dissesse ‘guria, vem logo que eu não tenho muito tempo’. Eu mordia meu lábio inferior e te olhava por baixo, seus olhos perseguiam os meus e, ah, o seu sorriso. Seu sorriso era como um prisioneiro em regime semi aberto, não acostumado com o Sol forte, saía lentamente como quem adentra um espaço desconhecido e no decorrer do dia já era íntimo do lugar. Até sair e não voltar mais. Eu poderia passar horas e horas falando e admirando o seu sorriso. E eu tenho certeza que você nunca percebeu o quanto sorria. Mas, acredite, eu sempre percebi cada detalhe teu.

O implícito esteve conosco desde o início. Sabe aquela coisa de tu sabia, eu sabia, todo mundo sabia, mas ninguém assumia? Pois é! E ficamos assim até o final, quem diria? Eu que apostei que não passaria de um amasso e uma garrafa de vinho. Acabei ficando com o teu maço enquanto eu decifrava quem era esse cara perdido. Traga um, traga dois, traga três. Você nunca foi bom em se contentar com limite, não é mesmo? Tudo bem! Porque eu também não. E é por isso que a gente se odiava.

– Você não me entende.
– Deve ser.
– Ah, quer saber? Desisto!
– Desisti faz tempo, benzinho.
– Para de falar assim comigo.
– Para de falar comigo.
– Tá bom.
– Tá bom.
– Tá.
– Tá.
– Dorme bem.
– Idiota.

E eu dormia? Claro que não! Noites e noites chegando virada no trabalho porque o imbecil resolvia me atormentar segundos antes de eu dormir. Engraçado mesmo é sentir falta disso. Tranquilidade nunca foi o nosso forte, ao mesmo tempo, encontrei em você a minha calmaria. As minhas ondas sempre foram agressivas, engoliam o que estivesse pela frente. Isso até você aparecer. E ficou assim, você sumia, eu destruía, você voltava, a calmaria.

Mas, tudo bem, eu fui alertada sobre o prazo de validade. E se ainda vale alguma coisa pra você, obrigada, viu? Por ter sido a pior melhor coisa enquanto durou.

Beijos.

Escuto histórias de amor

4 ago

Todos os dias escuto histórias de amor – ou da falta dele. É a menina que ama e não é correspondida, é o menino que ama o menino, é a mulher que não tem paciência pra gostar de alguém. E eu gosto de cada uma delas, e eu me envolvo com cada sentimento compartilhado.

Gosto porque me encontro numa situação ou outra, gosto mais ainda quando gostaria de me encontrar. São as flores de surpresa e a mensagem no meio da madrugada. São os momentos de silêncio e toda a alegria compartilhada. Embora algumas, por mim, eu chamaria de anedota de amor.

Você já se permitiu viver uma anedota de amor? Uma história curta, divertida e curiosa. Quem foi que disse que pra ser bom precisava ser eterno? Tantas vezes tantos deixaram de viver um pequeno momento esperando viver o grande dia. Parou para pensar que as doses recomendadas de café são pequenas?

As pequenas anedotas de amor são como um bom café, nada de requentar. Um pequeno gole que se mantém na língua até o final do dia. Com direito a um suspiro no final. Doses diárias sem motivo específico. Um dia tenho vontade, um dia tenho necessidade. Um dia para acordar, outro pra saborear.

Sem esquecer dos risos! Ah, os risos. A melhor parte. Aquela gargalhada gostosa e sem censura. Aquela piada sem graça e sem frescura. Aquela mordida na bochecha que você deu sem pensar. O encanto do circo que para na sua cidade por um tempo curto e depois segue o seu rumo. Que problema há viver apenas um espetáculo?

É claro que depois do café, torna-se quase automática a necessidade da água. Eu, particularmente, prefiro sem gás. Mas você pode escolher, sentir borbulhar na garganta ou no estômago.

Mas, desconfie, se for no estômago são borboletas. E borboletas são como anedotas de amor: não vieram para ficar.