Arquivo | setembro, 2014

Bagagem

18 set

Eu não preciso de você para ser feliz, mas também não negaria. Não negaria que seria mais agradável uma chuva no meio do caminho ou o meu ônibus nunca passar. Porque você estaria ali, me fazendo companhia. Mesmo que não fôssemos muito de conversar, tua presença seria o suficiente.

Esses dias me perguntaram como eu estava, se já estava melhor. Contei que ainda não sabia muito bem e que talvez não acreditasse nas últimas manchetes que li no jornal. Já inventaram tantas notícias que nem eu sei bem em qual veículo acreditar.

É claro que um dia ou outro, a gente acorda mais triste e tudo parece ser um convite para se jogar de um precipício. Mas parto do princípio que o outro dia será bem melhor. Eu vou dormir, com dificuldade ou não, e ter a chance de recomeçar. Porque a vida é isso. A vida é essa incerteza diária, a vida é esse esperar o celular tocar. Bah, que triste, não? Deve ser por isso que eu desliguei o meu.

Ando meio desligada, louca, descalça, sorriso na cara. Com vontade de praia e um violão. Tudo bem se não quiseste me acompanhar. A praia é longa e tem tanta gente no meio do caminho. Eu paro por alguns instantes naquele velho banquinho e veja só, estou só. Tão só, mas tão cheia de mim. Que maravilha, relembrar como é ter a minha própria companhia! Antes que eu te confunda, não, isso não é ironia.

Pode ser que eu fique aqui por muito tempo, pode ser que amanhã eu receba um novo convite. Não hesite em me chamar. Pode ser o meu batom vermelho, pode ser o meu olhar, pode ser o meu defeito de não saber o que falar. E ficar assim, te olhando, como quem passeia por um museu. Poder ser, também, que você só queira se proteger, você não foi o primeiro a ter medo de mim. Ponho a mão no bolso e retiro todas as possibilidades, no fim do dia me sinto mais leve.

Não tenho mais que carregar o peso do ‘e se?’, mas confesso que deixei um espaço no bolso, se você voltar e disser que sim.