Arquivo | dezembro, 2014

Eu não espero que você entenda

22 dez

E talvez você não entenda… Não, talvez não, eu tenho certeza: você não vai entender.

Você não vai entender porque eu não faço a cama todos os dias ou porque eu não me importo em chegar atrasada caso eu demore mais no banho. Você não vai entender porque eu não respondo a mensagem na hora pelo simples fato de ter lido e esquecido de responder.

Porque eu sou dessas que anda no metrô cantarolando num incompreensível inglês misturado com francês. Porque eu balanço a cabeça no ritmo da música e atravesso a rua fora da faixa quando tô sozinha. Porque eu não termino de contar a piada já que eu começo a rir antes do fim. Ah, sim, minha risada. Ela é bem estridente, provavelmente eu te fiz passar vergonha por causa dela.

Mas, sei lá, é assim que funciona, né? Eu sou desse jeito, sem meio termo, exagerada ou calada, quase que na mesma fração de segundos. Eu mudo. Mas continuo sendo a mesma. Que coisa louca, você se foi enquanto eu arrumava as minhas roupas. E agora, como fica? Não fica.

De volta ao meu lugar. O vinho barato na geladeira, o pensamento cheia de besteiras, ela só quer viver. Não importa se é um sábado ou se é uma quarta-feira. Porque quando eu descubro o nome de uma música que eu gosto, passo dias e dias ouvindo a mesma canção. E foi assim com você. Aí surgem novas músicas. E não foi assim com você.

Não que eu não tenha seguido em frente, muito pelo contrário, mas sempre que me aproximo das esquinas, tenho medo de te encontrar. Medo porque eu não sei como reagiria, medo porque tenho medo de sentir a mesma coisa, medo porque tenho medo de não sentir mais nada.

Medo porque você não vai entender que nem eu me entendo tão bem assim.

Perdemos o ritmo, mas ainda me lembro do refrão.

Quase

4 dez

Em quem você pensa antes de dormir?

Minha cabeça afunda no travesseiro, correria o dia inteiro, não tenho medo. Tenho diversas perguntas, sou a rainha das dúvidas. Gosto de questionar, gosto de intrigar. E a pergunta da vez foi: “por que você fez isso?”.

Por que você fez isso de jogar conversa fora? Por que vocês fez isso de aparecer sem hora? Por que você fez isso de ir embora? Você não deixou nem um cartão de visita, mas confessou que eu seria bem recebida. Foi um convite ou foi simpatia? Não sou adivinha.

Agora, adivinha o que eu queria! Você dormia. De mal jeito, diga-se de passagem. Dormia no sofá da sala, esqueceu a TV ligada, passava um documentário sobre fotografia. Enquanto eu estava na janela, olhando o teu cinzeiro, sujo como sempre. Quantos cigarros você já fumou para preencher o teu vazio?

Aquela dúvida se te deixo dormindo quietinho no sofá ou se te levo pra minha cama. Desligo a TV, não me desligo de você. Sua respiração profunda e o silêncio gritante. Entre o sofá e a cama, te dei meu colo. Meus dedos se enroscavam nos teus cabelos, o sono nunca chegava pra mim.

Teu abraço tem gosto de saudade, teu beijo tem gosto de vontade, teu corpo tem gosto de maldade. Porque nós somos um quase. Um quase beijo, com os lábios pressionados e olhar aflito. Uma afobação de dois jovens, um pseudo desespero repentino.

Porque nós somos um quase hit. Sabe aquela música que tinha tudo para dar certo mas o refrão não agradou? Porque nós somos um quase oscar. Ah, talvez o nosso roteiro não fosse tão bom assim. Porque nós somos um quase acidente, mas pelo visto só eu saí feriada.

Porque nós somos um quase.

Porque nós somos um, quase.

Sobre aniversários e outros clichês

1 dez

Ontem eu dormi já sabendo que hoje seria diferente.

Quem me conhece, sabe o quanto gosto de aniversariar. O aniversário é como uma balança onde você percebe quem ficou, quem se foi e quem acabou de chegar. E não vejo porquê menosprezar uma mensagem escrita só porque teve um alerta sutil de um aplicativo ou coisa do tipo.

No mundo em que hoje cada segundo é precioso e o tempo é mais rápido que os ponteiros do relógio, agradeço cada segundo de atenção que tiveram comigo. A idade vai avançando e me torno uma velha jovem ou uma jovem velha? Bah, não sei. Não sei, também, se esse ano foi tão intenso que só pude me desarmar hoje ou se, de fato, tornei-me mais sentimental.

Queria que vocês soubessem a importância dos pequenos gestos. Dos post-it, das ligações, das declarações. Queria que vocês soubessem que eu queria estar sempre por perto. Eu sei que a culpa é nossa pela presença nem sempre fazer parte da gente. Mas, se você deixou aqui ou  lá, um pedacinho seu em forma de mensagem, sei que de alguma forma fui importante.

Eu brinco que queria fazer aniversário diversas vezes só para receber esse carinho. Mas, pensando bem, não teria tanta graça. É tão boa essa surpresa datada que ainda assim consegue ser surpreendente. Por detalhes que nem imagina, como, por exemplo, quando me imitam. Ah, #hojetem e se tem! Porque ~~euzinha~~ toda emo e gótica se derrete toda por qualquer motivo.

Você, que comemora comigo há anos, muito obrigada.

Você, que chegou agora, muito obrigada.

Vocês, que fizeram do meu dia ser o nosso dia, muito obrigada.

Apenas para registrar o dia que não terminou e só me fez sorrir.