Arquivo | abril, 2015

O cigarro

14 abr

O cigarro

Inteiro e intacto

Põe fogo

Aos poucos

Aos pedaços

Fumaça

Forte

Cinza

Fim do dia.

Feiticeira

10 abr

É fácil se apaixonar por ela.

Ela é toda assim, sedutora, confiante e cretina. Cretina porque sabe que todo mundo tá olhando e ela provoca, um, dois, três ao mesmo tempo. E de repente deixa todo mundo falando sozinho porque precisa reabastecer o copo. Ela sabe todas as músicas ou finge que sabe só para fechar os olhos e balançar a cabeça. Tudo o o que eu queria era chamá-la para dançar.

Mas eu fico só olhando, porque é isso que eles fazem. De vez em quando alguém toma um gole de coragem e pede o isqueiro emprestado.

– Fogo?

– Tenho sempre.

E dá aquela gargalhada curta, direta e fatal. É difícil não querer beijá-la quando ela fixa os olhos no meu e fica com os lábios entreabertos como se quisesse me chamar. Ela tem todo mundo, ela não tem ninguém.

Mas é difícil amá-la.

É difícil porque ela tem isso de ser do mundo, de ser o que quer, de ser. Ela tem uma auto liberdade de dar inveja mas ao mesmo tempo é tão difícil de lidar. Essa certeza de que ela nunca vai ser minha. Porque ela grita que ela é dela, apenas dela e não de quem quer.

Queria que ela fosse minha, que pensasse (só em mim) todos os dias, que precisasse de mim. Mas não vai ser dessa vez, tampouco na próxima. Acho que não é pra ser. Acho muitas coisas, ela não me dá certeza de nada. Ou melhor, praticamente nada. Até porque eu tenho certeza de que é só a ver para querer tudo de novo. O cheiro, o beijo e o corpo.

Ela é o demônio do meu paraíso particular.

Sabe aquela história?

2 abr

Sabe aquela história?

Isso, aquela!

Aquela que a gente tinha uma música.

Aquela que a gente tinha uma ideia.

Aquela que ninguém acreditava.

Aquela que de repente aparecia ela.

Aquela que a gente tinha de tudo um pouco.

Aquela que a gente ria de mim.

Aquela que só parece que não teve uma coisa.

Fim.