Arquivo | agosto, 2015

Equação

17 ago

Nós temos um silêncio nosso.

Eu temo o silêncio teu.

Você sabe que eu gosto de jogar. Tenho atração por códigos e meu combustível é a adrenalina. Mas você me fez cair no meu próprio jogo. Não sei se é timidez ou se é indiferença e eu me importo, embora não pareça. Te permiti me ver sóbria, tampouco eu estava pronta pra isso. Sentia falta de um copo na mão, um dose de pretexto para falar besteira, um gole de permissão para uma sequência de erros.

Desde o início eu tive o teu silêncio e ele nunca foi o mesmo. O que você quer me dizer quando fica quieto me olhando? O que você me contou quando fica quieto de olhos fechados? O que você pretende falar quando fica quieto sentado no sofá? Sai a adrenalina e entra a agonia.

Expectativa.

– O que você tem?

– Nada.

Realidade.

– O que a gente tem?

– Nada.

Interpretar o teu silêncio me enlouquece. Mas você me beija com a mesma pressa que eu tenho quando falo. E da mesma maneira que eu sempre tenho que repetir o que acabei de dizer, você tem que me beijar de novo para tentar me fazer entender. Eu entro na tua, eu entro no teu jogo. Você conversa com o corpo. Passo meus pés nos teus, você retribuiu fazendo o mesmo. Reciprocidade? Deito no seu ombro, você me abraça. Devo continuar? Abro a mão, você a segura. Iniciativa? Minha angústia estava no olhar. Só que você estava de olhos fechados.

O nosso diálogo alterna-se entre suspiros, gemidos e inspirações profundas.

Meu pessimismo me leva a crer que estou fazendo algo errado e que todas as noites são as nossas últimas noites. Eu te encontro me preparando para a despedida, nisso você vira:

– Nos vemos de novo?

Não me resta outra saída além de esperar.