In’ continência

13 fev

O que eu não digo, meus olhos dizem e isso te incomoda porque você faltou nas aulas de interpretação. Não que eu queira, propositalmente, te incomodar, mas é que eu faltei nas aulas de relação.

Diariamente eu engolia diversas palavras, no café, no almoço, na janta e quando tu me chamava. Eu sempre soube que era exigir demais de ti que você me decodificasse pelas minhas ações. Quando eu te abraçava mais forte te pedindo pra ficar, quando minha respiração era pesada por não conseguir carregar a mistura de desejo e incerteza, quando eu balançava a cabeça para não entregar que eu passaria a noite inteira te olhando.

Mas eu só era mais uma que tinha o beijo com gosto de vinho barato. Mas eu só era teu escape, teu segredo, tuas angústias. Angústias essas que você não me contava, mas eu sabia que você não estava mais ali quando parava a mão na minha cintura e trazia meu rosto pro seu pescoço como quem quisesse se expressar sem que ninguém visse.

O telefone toca e é hora de ir embora. Até hoje não entendo como eu ficava com o teu cheiro e tu não ficava com o meu. Somos dois amantes que não se amam. Sou uma amante que tem medo de amar. Porque com a mesma facilidade que tu me chama, tu me deixa de chamar.

Talvez seja por isso que eu nunca digo o meu nome.

Nada que uma garrafa de Balkan não resolva. Você é só mais um dos meus homens e eu volto a marchar.

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